Pular para o conteúdo principal

Lindemberg

Charles A. Lindbergh foi um heroi estadunidense, assim considerado após realizar o primeiro voo solo entre o continente americano e o continente europeu sem escalas. Isso se deu no ano de 1.927. Casou-se com a filha de um senador. No ano de 1.932, um dos filhos do casal, Charles Jr. foi sequestrado e morto. O acusado, Bruno Hauptmann, foi processado e condenado à morte (embora alegando inocência até o último momento). Este trágico episódio é abordado de passagem no filme "J. Edgar"; como se sabe, foi John Edgar Hoover praticamente o criador do FBI e seu diretor por 48 anos. Foi um dos primeiros casos em que a polícia federal estadunidense teria atuado cientificamente na sua solução.
Mas não é desse Lindbergh que eu quero falar - o que me daria extremo prazer, pois utilizo o caso da extorsão mediante sequestro ("kidnapping") de que foram vítimas ele e seu filho (Charles Sr. vítima da extorsão; Charles Jr. vítima do sequestro - a extorsão mediante sequestro é um delito que tem duas vítimas; três até, para os que se filiam à tese de que o Estado é sempre vítima, pois a ele cabe garantir a segurança dos cidadãos [no dizer de Carrara]) como exemplo prático em sala de aula.
É do Lindemberg, assim mesmo, aportuguesado (ou abrasileirado, se me permitem) e de seu julgamento: fazia muito tempo que eu não via tantos disparates proferidos pelos profissionais envolvidos num caso tão rumoroso. A começar pelas ofensas que eles trocam entre si. Um deles: a advogada de defesa teria dito que a juíza precisava "voltar a estudar". Imediatamente, foi ameaçada de ser processada por desacato pelo Ministério Público.
A advogada de defesa, além disso, profeiu esta pérola: "todos os BRASILEIROS têm direito a um julgamento justo". Não é isso: a Constituição garante que todos os cidadãos têm direito a um julgamento justo, não importando a sua nacionalidade. Imaginem se fosse como ela pensa e disse: um brasileiro comete um crime e tem direito a um julgamento justo; um chinês comete um crime (no Brasil, lógico) e não tem direito a um julgamento justo. Outra pérola: "essas notícias põem em risco a minha INTEGRALIDADE física".
Os profissionais envolvidos num julgamento devem ter preparo, que não precisa ser somente jurídico; é necessário que seja também emocional. Ou seja: não basta que se conheça o Direito Penal e os ritos processuais; é imprescindível que se mantenha o equilíbrio emocional, respeitando-se mutuamente. Quando não impera o respeito entre as partes, a vítima é sempre  a educação.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

William Waack e o racismo

A morte do prefeito

Aquela tinha sido em Campinas uma segunda-feira como todas as outras de fim de inverno, quase início de primavera: ensolarada, quente e com bastante trabalho, mais parecendo um dia de verão. Aulas no período da manhã na Faculdade de Direito da PUCCamp, audiências no período da tarde na Vara do Júri da comarca de Campinas, com uma ida antes e outra depois à Seccional de Assistência Judiciária da Procuradoria Regional de Campinas. Aulas também no período noturno. Por volta de onze e meia da noite, quando já estava preparado para dormir, soou o telefone fixo de minha casa. Pelo horário, um telefonema pode ser sintoma de má notícia: era, mas não envolvendo ninguém da família. Do outro lado da linha, uma parente, emocionada, dizia, aos prantos, para ligar a televisão num canal local: o Prefeito Toninho havia sido morto. Liguei o aparelho e me inteirei da notícia. O susto foi imenso, porém nada havia a fazer senão dormir. Mal imaginava de depois de aproximadamente um ano eu estaria atuando …

Dia de branco

Durante a minha adolescência era comum dizermos no domingo à noite: “vamos embora que amanhã é dia de branco”. Ou: “segunda-feira é dia de branco”. Ninguém sabia o significado destas palavras, mas, para nós, significava que deveríamos nos recolher porque no dia seguinte trabalharíamos. Depois de quase 50 anos passados dessa época, e tendo em vista o que li num jornal local, resolvi pesquisar no Google o significado da expressão. Tudo parece fácil hoje: basta abrir o “site” de busca e digitar o que se pretende buscar. Pois bem, digitada a expressão, surgiram várias referências e a que me chamou a atenção foi a do Yahoo, em que é escolhida uma resposta dentre as várias ali postadas. Transcrevo algumas: 1. “É uma frase extremamente preconceituosa e racista, e que vem sido citada desde o início do século passado. Seria como dizer que os negros são vagabundos e só os brancos trabalham.”;
2. “ouvi dizer q na época de escravidão, sábado e domingo eram a folga dos negros na época …