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Mostrando postagens de 2018

Problema para uma geração

Dizia o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (“Rebelião das Massas”, entre outros), que uma geração dura em torno de trinta anos. Disse isso de passagem, sem maiores explicações, mas pode-se concluir que esse é tempo em que uma geração está apta a propor modificações e, mais importante, implementa-las. O caos na segurança pública no estado do Rio de Janeiro começou há mais de trinta anos – trinta e um para ser exato. Nesse ano, o Secretário de Polícia Civil (era esta o nome da pasta responsável pela segurança pública no estado) era Nilo Batista e o governador, Leonel Brizola. Em uma entrevista publicada nas páginas amarelas (azuis, vermelhas, não lembro ao certo) de uma “revista semanal de informação”, mais precisamente a revista ISTOÉ, disse o secretário de polícia civil uma frase que, de tão impactante, serviu como “chamada” à matéria, e que é a seguinte: “droga não é problema policial”. Segundo muitos, essa foi a senha que significou que a partir dali o combate ao tráfico de entor…

Disparates políticos

Fantasmas, assombrações e espíritos

Os que são da mesma faixa etária que eu certamente conhecem algumas histórias de fantasmas, assombrações e (maus) espíritos. Se tiver sido, como eu, criado em uma cidade pequena, certamente conhecerá até de lobisomem. No meu caso, fui criado em Jaú, onde nasci no ano de 1948 e ali morei até quase completar dezesseis anos. Na mesma rua em que eu morava veio residir uma família vinda da zona rural. Um garoto da mesma idade que eu disse que todas as noites, ao se recolher ao leito, fazia uma prece pedindo que a “pisadeira” desse três voltas no mar até o dia clarear. Perguntei o que era (ou quem era) a “pisadeira” e ele não soube explicar. Depois de algum tempo, perguntei à minha avó – ela e meu avô tinham uma granja na zona rural da cidade de Bocaina – acerca dessa “entidade” e ela esclareceu que na verdade era “pesadelo”... Não se tratava, portanto, de nenhum ser fantasmagórico. Próximo da minha casa havia um centro espírita e tínhamos a maior dificuldade para passar pela calçada em que e…

Feminicídio

Esse vocábulo, aparentemente estranho, passou a ocupar as manchetes dos meios de comunicação para noticiar um tipo de crime: a morte de uma mulher. A morte de um ser humano provocada por outro ser humano (ou por uma pessoa contra outra pessoa) existe desde sempre: para os criacionistas, ela está na Bíblia, sob a forma de fratricídio (morte de um irmão – Caim e Abel). E a punição da morte de um homem praticada por outro homem é punida desde sempre, muitas vezes com penas atrozes – suplícios -, muitas vezes com a morte do matador.Nas legislações antigas era comum encontrar-se diferença de punição segundo a condição social tanto do sujeito ativo (matador) quanto do sujeito ativo (vítima). Como exemplo, pode ser citada a legislação brasileira antiga, em que a morte de um escravo não era considerada homicídio: como o escravo era considerado “coisa”, o seu proprietário que era vítima e de um crime de dano. O Código Penal brasileiro pune a morte no artigo 121, sob o nome de “homicídio”[1], co…

Edoardo Toffano e a relíquia de Santo Antônio