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Lar dos velhinhos


 
      
      Era uma tradicional instituição que acolhe pessoas na terceira idade – quiçá na quarta também. Muitas das pessoas que ali estavam internadas percebiam algum dinheiro mensal a título de pensão por aposentadoria ou qualquer outro tipo de remuneração, porém eram praticamente incapazes (pelos motivos que não vêm ao caso) e não tinham representante legal, o que levou o Ministério Público a requerer a interdição de alguns – a maioria, talvez. Nessa época, os Procuradores do Estado lotados na área criminal da PAJ foram chamados a auxiliar os colegas da área cível especificamente na tarefa de atuar como curadores especiais. A mim coube atuar perante a 6ª Vara Cível da comarca de Campinas e foi justamente para essa vara que foi o pedido de interdição distribuído.
            A juíza designou a data da audiência, a fim de ouvir os idosos, para o dia 21 de junho de 2002, 9 horas. Na madrugada desse dia realizar-se-ia (como se realizou) o jogo entre as seleções do Brasil e da Inglaterra, pois estava em pleno andamento a Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. A partida estava marcada para se iniciar as 2 horas (horário brasileiro), como se iniciou mesmo, tendo terminado após as 4 horas. Fui assistir à partida na casa de um casal de amigos e ali estavam vários outros casais. A festa correu solta até por volta de 5 horas.
            Chegando em casa, tomei um banho, cochilei algumas poucas horas e quase 9 da manhã estava eu no Lar dos Velhinhos para atuar como curador especial de todos aqueles que seriam ouvidos pela magistrada. A audiência desenvolveu-se por quase toda a manhã, com alguns “interrogatórios” (é assim que a lei civil denomina o ato judicial que consiste em fazer algumas perguntas ao “interditando) tendo ocorrido algumas situações curiosas. Por exemplo: um dos idosos gostava muito de gravatas e encantou-se com a que eu usava, não deixando em nenhum momento de referir-se a ela, chegando a toca-la várias vezes. Outros idosos mal conseguiam manifestar-se.

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