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Fantasmas, assombrações e espíritos


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            Os que são da mesma faixa etária que eu certamente conhecem algumas histórias de fantasmas, assombrações e (maus) espíritos. Se tiver sido, como eu, criado em uma cidade pequena, certamente conhecerá até de lobisomem. No meu caso, fui criado em Jaú, onde nasci no ano de 1948 e ali morei até quase completar dezesseis anos.
            Na mesma rua em que eu morava veio residir uma família vinda da zona rural. Um garoto da mesma idade que eu disse que todas as noites, ao se recolher ao leito, fazia uma prece pedindo que a “pisadeira” desse três voltas no mar até o dia clarear. Perguntei o que era (ou quem era) a “pisadeira” e ele não soube explicar. Depois de algum tempo, perguntei à minha avó – ela e meu avô tinham uma granja na zona rural da cidade de Bocaina – acerca dessa “entidade” e ela esclareceu que na verdade era “pesadelo”... Não se tratava, portanto, de nenhum ser fantasmagórico.
            Próximo da minha casa havia um centro espírita e tínhamos a maior dificuldade para passar pela calçada em que ele se localizava, tal era a paúra: pensávamos, por conta das histórias ouvidas, que, não importando o horário, espíritos pairavam sobre aquele local. Tínhamos medo dos espíritos.
            Quando se toma contato com as obras de Allan Kardec, todo receio desaparece. Uma frase lapidar do codificador do espiritismo diz que se deve temer os vivos e nunca os espíritos (no caso, suponho, quis dizer “espírito desencarnado”, pois os vivos são também espíritos, mas “encarnados”). Algo que chama a atenção na obra desse autor é a classificação dos espíritos: ele os divide em três ordens. A Terceira Ordem diz respeito aos Espíritos Imperfeitos, que são divididos em Impuros (10ª classe), Levianos (9ª classe), Pseudo-sábios (8ª classe), Neutros (7ª classe), Batedores e Perturbadores (6ª classe). Depois vem a segunda ordem, que contém os Bons Espíritos. São eles: Benévolos (5ª classe), Sábios (4ª classe), de Sabedoria (3ª classe), Superiores (2ª classe). Na Primeira Ordem estão os Espíritos Puros, numa classe única.
            Ao se falar em Espiritismo não se pode deixar de referir a Hydesville, estado de New York, e à morte de um vendedor ambulante (1843), cujo espírito depois veio a se comunicar com as filhas do Pastor Fox (1848), nem às “mesas girantes” de Paris, pelas quais, a princípio, não se interessou Allan Kardec, mas que, depois, veio a codificar o Espiritismo, inicialmente com O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, e depois com as demais obras que compõem o “pentateuco espí

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