Pular para o conteúdo principal

Campanhas

Uma manchete na página A7 (poder) da Folha de São Paulo, edição de hoje, chamou-me a atenção: "Alckmin institui 'gabinete antiprotesto'"; a manchete menor prendeu mais ainda a minha atenção: "Palácio dos Bandeirantes monitora manifestações organizadas nas redes sociais e muda agenda do governador".
Como eu frequento as tais redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter) e tenho este blog, fiquei com a curiosidade mais aguçada porque entre os meus amigos no Facebook - tenho apenas 112 - não há tais movimentos que cheguem a incomodar quem está no poder. Eu mesmo tenho postado algumas "denúncias", apontando - e com fotos - buracos nas vias públicas, automóveis estacionados irregularmente e outras mazelas cuja existência muitas vezes depende apenas do mau cidadão, às vezes do mau governante e por vezes de ambos, do mau cidadão e do mau governante. Hoje mesmo postei uma foto no Facebook e o título era "torpeza bilateral" em que aparecem dois veículos estacionados bem debaixo da placa de "proibido estacionar" na rua São Pedro, nas proximidades do Supermercado Pão de Açúcar do Cambuí. Mas sinto que sou uma voz pregando no deserto. Entre os meus amigos -- 112, como já disse - dificilmente há esse engajamento.
Mas o corpo da notícia a que me refiro explica a causa do meu insucesso em iniciar campanhas nas "redes sociais" e ao mesmo tempo me conforta: "as manifestações, organizadas com auxílio de militantes de partidos que fazem oposição ao governador...". Nem preciso dizer mais. O sucesso dessas campanhas está ligado aos partidos políticos de oposição. Está parecendo a China (oportunamente falarei disto).
Pois é: os partidos políticos, de oposição ou não ao governo de Campinas, poderiam auxiliar no combate aos buracos, aos carros mal estacionados, à profusão de placas de empreendimentos imobiliários nos fins de semana, etc. Enfim: uma campanha para tornar Campinas uma cidade mais civilizada.
Para ilustrar, a foto que postei e um cartaz que uma amiga postou no Facebook.

  Silvio Artur Dias da Silva

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A memória

A BBC publicou tempos atrás um interessante artigo cujo título é o seguinte: “O que aconteceria se pudéssemos lembrar de tudo” e “lembrar de tudo” diz com a memória. Este tema – a memória- desde sempre foi – e continua sendo – objeto de incontáveis abordagens e continua sendo fascinante. O artigo, como não poderia deixar de ser, cita um conto daquele que foi o maior contista de todos os tempos, o argentino Jorge Luis Borges, denominado “Funes, o memorioso”, escrito em 1942. Esse escritor, sempre lembrado como um dos injustiçados pela academia sueca por não tê-lo agraciado com um Prêmio Nobel e Literatura, era, ele mesmo, dotado de uma memória prodigiosa, tendo aprendido línguas estrangeiras ainda na infância. Voltando memorioso Funes, cujo primeiro nome era Irineo, ele sofreu uma queda de um cavalo e ficou tetraplégico, mas a perda dos movimentos dos membros fez com que a sua memória se abrisse e ele passasse a se lembrar de tudo quanto tivesse visto, ou mesmo (suponho) imaginado...

As finalidades da pena e as redes sociais

A partir de um certo momento do desenvolvimento do Direito Penal, começou uma interessante discussão acerca da finalidade da pena. Por assim dizer, “tirar um proveito” sobre esse tão importante momento, o momento culminante, em que o condenado cumpre a pena que lhe foi imposta. Formularam-se teorias sobre essa finalidade e as mais importantes têm a sua formulação em latim: punitur quia peccatum est, punitur ne peccetur e uma terceira que é mescla destas duas: punitur quia peccatum est et ne peccetur. Em vernáculo: pune-se porque pecou, pune-se para que não peque e pune-se porque pecou e para que não peque. A teoria dita absoluta é um fim em si mesma: pune-se por que pecou. Nada além disso, uma manifestação da lei de talião. Praticamente não tira nennuj proveito da atividade punitiva. Já o “pune-se para que não peque”, procura, esta sim, tirar um proveito da aplicação da pena, de uma forma especial e uma forma geral. Punido, o sujeito ativo não reincidirá e, ademais, servirá como um...

Mario Vargas Lllosa

Faleceu, aos 89 anos, o premiado escritor peruano Mario Vargas Llosa. Autor de muitos livros, alguns maravilhosos, e ganhador de vários prêmios, dentre os quais avulta o Nobel de Literatura. A forma como eu conheci a sua obra foi acidental. Eu fazia parte de um grupo chamado Círculo do Livro (não existe mais) e cada sócio tinha obrigação de comprar um exemplar por mês, e, caso não comprasse, o grupo enviava um exemplar de qualquer obra do catálogo. O mês estava por vencer e eu não tinha ainda comprado nenhum. Folheei o catálogo às pressas para comprar um – qualquer um – e um título atraiu a minha atenção: “Pantaleão e as visitadoras”, de autoria de Mario Vargas Llosa, escritor de quem eu nunca tinha ouvido falar. Li a obra e adorei e, a partir daí, comecei a comprar todas as que iam sendo publicadas, verdadeiras joias. Para registrar: Pantaleão e as visitadoras converteu-se em filme. Um dos seus livros chama-se “A guerra do fim do mundo”, que retrata, com personagens reais e fictí...