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O assaltante narcisista


                         Foi um daqueles roubos (segundo a mídia, “assaltos”) cinematográficos e nos tempos atuais até corriqueiros: duas mulheres chegando de carro em casa no período noturno, durante o tempo em que o portão é aberto para a entrada do veículo os ladrões entram junto e tomam aquelas pessoas de assalto.
                        No interior do imóvel, começam a procurar por objetos de valor, geralmente eletrônicos e, na atualidade, de informática. Nesse “modus operandi”, os ladrões colocam todos os bens no interior do veículo: se for suficiente o porta-malas, tudo bem; se não for, é utilizado o banco de trás. Por vezes, se houver mais de um veículo e muitos bens, todos são levados.
                        Enquanto procuravam os bens que iriam ser surripiados, descobriram algo que demonstrava que a moradora da casa era policial; foi encontrada a sua carteira funcional, bem como a sua arma. Coronhadas foram desferidas, ameaças foram proferidas; por fim, a dupla de rapinantes deixou aquela casa levando os bens que lhe interessavam.
                        Um deles cometeu um equívoco que lhe foi fatal em termos de descoberta da identidade: perdeu o celular. Detalhe: não era clonado. Pior: a tela de fundo do visor do aparelho (“papel de parede”) era uma foto sua. Daí para a sua prisão foi um passo. Embora não fosse um roubo de muita gravidade – afinal, os bens subtraídos não alcançavam grande importância, nem as pessoas sofreram lesões graves – a polícia, como ocorre em casos semelhantes, mostrou toda a sua força (que somente mostra quando quer mostrar): interceptação telefônica “on-line” e tudo o mais que a modernidade permite, culminando com a decretação da prisão temporária e depois a prisão preventiva.
                        Pois é: ele queria ver o seu rosto, tal qual um narciso, todas as vezes que fosse atender uma chamada telefônica e isto serviu como prova para que fosse alcançado pela “longa manus” da justiça criminal. Identificado, localizado e preso, não lhe restou alternativa que não confessar a rapina. Mas, obviamente, procurou exculpar o seu acompanhante.



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