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A morte do prefeito


Aquela tinha sido em Campinas uma segunda-feira como todas as outras de fim de inverno, quase início de primavera: ensolarada, quente e com bastante trabalho, mais parecendo um dia de verão. Aulas no período da manhã na Faculdade de Direito da PUCCamp, audiências no período da tarde na Vara do Júri da comarca de Campinas, com uma ida antes e outra depois à Seccional de Assistência Judiciária da Procuradoria Regional de Campinas. Aulas também no período noturno.
Por volta de onze e meia da noite, quando já estava preparado para dormir, soou o telefone fixo de minha casa. Pelo horário, um telefonema pode ser sintoma de má notícia: era, mas não envolvendo ninguém da família. Do outro lado da linha, uma parente, emocionada, dizia, aos prantos, para ligar a televisão num canal local: o Prefeito Toninho havia sido morto.
Liguei o aparelho e me inteirei da notícia. O susto foi imenso, porém nada havia a fazer senão dormir. Mal imaginava de depois de aproximadamente um ano eu estaria atuando na defesa dativa daquele que o Ministério Público acusou como um dos responsáveis pela morte, Wanderson Nilton de Paula Lima, vulgo "Andinho". Os outros responsáveis - 3 que estariam no mesmo veículo, um Vectra Prata - foram mortos, dois em Caraguatatuba ("Anzo" e "Valmirzinho"), e o terceiro, "Fiinho", em Itu, na presença de "Andinho".
Era o dia 10 de setembro de 2001.
Depois de 5 anos trabalhando no processo, "Andinho" foi impronunciado e a sentença foi publicada exatas 2 semanas antes de eu me afastar das lides criminais defendidas pela PAJ Criminal (que foi substituída pela Defensoria Pública), preparando a minha aposentadoria, que se deu no ano seguinte, mais precisamente em março de 2008. O Ministério Público, inconformado, interpôs um (então) recurso em sentido estrito recheado de ataques pessoais ao magistrado, todavia não logrando êxito, mas o fizeram abrir um item na decisão de sustentação: a sentença de impronúncia foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
(Tudo isto e muito mais está contido num livro por mim escrito, a ser futuramente publicado.) 




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