Pular para o conteúdo principal

Leis

No estudo do Direito, os sistemas jurídicos são divididos em "common law" e "civil law".
Rudimentarmente, o primeiro se baseia em decisões dos tribunais (os precedentes) e o segundo em atos legislativos, ou seja, em leis. Não se pense que num país que segue o primeiro não exista Poder Legislativo, porque, há, sim, e tal poder discute e aprova as leis. Alega-se que nos Estados Unidos da América do Norte o sistema é o do "common law", mas, estudando-, constata-se que não é um sistema puro, pois há alguns estados em que a influência do outro sistema é nítida, como, por exemplo, na Louisiana, em que há influência da França, um país que segue a "civil law".
O Brasil segue o sistema "civil law", embora o precedente tenha, a partir da Emenda Constitucional 45, passado a ter peso, exagerando, quase igual ao do precedente: é a súmula vinculante, mediante a qual o Supremo Tribunal Federal redige ementas que têm a força de lei. Como exemplo, o uso de algumas: na súmula respectiva estão os requisitos que permitem o uso de algemas e caso tal comando seja desobedecido, acarretará a nulidade de todos os atos praticados.
Fazendo parte dum sistema "civil law", temos um Poder Legislativo, que se desdobra em 3 níveis: federal, estadual e municipal. Obviamente, o mais importante é o federal, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. As duas casas legislativas discutem e aprovam as mais importantes leis que regem a conduta do Estado e dos cidadãos. Apenas como exemplo, está sendo redigido por uma comissão um anteprojeto de Código Penal, que deverá estar ultimado no final deste mês. Depois será discutido por ambas as casas legislativas. Outro bom exemplo é o Código Florestal, que, aprovado, teve alguns artigos vetados pela Presidente da República, que, em seguida, tratou do mesmo assunto numa medida provisória. Como se constata, a responsabilidade do Poder Judiciário é muito grande, mas, infelizmente, ele tem ocupado mais espaço na mídia por suas mazelas do que por seus méritos. São parlamentares envolvidos em escândalos, recebendo vencimentos de parlamentares de primeiro mundo, tendo um séquito de assessores, como se este país  estivesse "nadando em dinheiro". Isto, de qualquer forma, não diminui a importância do trabalho dos parlamentares.
O que tira um pouco a importância de seu trabalho é que, por uma distorção inexplicável, eles são obrigados a trabalhar na aprovação de leis que, creio, num país sério inexistiriam. Basta uma "vista d'olhos" no "site" presidencia.gov.br para compreender o que estou dizendo. Em maio foram aprovadas as seguintes leis (dentre outras importantes, penais, que já comentei aqui): a que "Institui o Dia Nacional de Valorização da Família", a que "Institui o Dia Nacional de Luta dos Acidentados por Fontes Radioativas", a que "Institui o Dia Nacional da Umbanda", a que "Institui o Dia Nacional do Quilo" (quanto a este último, eu chamaria o Apóstolo Ibiapina e os seus seguidores do movimento "Quebra Quilos" a se manifestarem).
Não que eu seja contra a instituições destas datas - apenas entendo que são tolices. E os parlamentares deveriam dedicar-se a assuntos mais sérios.
Silvio Artur Dias da Silva 
(Abaixo uma foto do apóstolo - qualquer dia falarei sobre o movimento "quebra-quilos".) 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A memória

A BBC publicou tempos atrás um interessante artigo cujo título é o seguinte: “O que aconteceria se pudéssemos lembrar de tudo” e “lembrar de tudo” diz com a memória. Este tema – a memória- desde sempre foi – e continua sendo – objeto de incontáveis abordagens e continua sendo fascinante. O artigo, como não poderia deixar de ser, cita um conto daquele que foi o maior contista de todos os tempos, o argentino Jorge Luis Borges, denominado “Funes, o memorioso”, escrito em 1942. Esse escritor, sempre lembrado como um dos injustiçados pela academia sueca por não tê-lo agraciado com um Prêmio Nobel e Literatura, era, ele mesmo, dotado de uma memória prodigiosa, tendo aprendido línguas estrangeiras ainda na infância. Voltando memorioso Funes, cujo primeiro nome era Irineo, ele sofreu uma queda de um cavalo e ficou tetraplégico, mas a perda dos movimentos dos membros fez com que a sua memória se abrisse e ele passasse a se lembrar de tudo quanto tivesse visto, ou mesmo (suponho) imaginado...

As finalidades da pena e as redes sociais

A partir de um certo momento do desenvolvimento do Direito Penal, começou uma interessante discussão acerca da finalidade da pena. Por assim dizer, “tirar um proveito” sobre esse tão importante momento, o momento culminante, em que o condenado cumpre a pena que lhe foi imposta. Formularam-se teorias sobre essa finalidade e as mais importantes têm a sua formulação em latim: punitur quia peccatum est, punitur ne peccetur e uma terceira que é mescla destas duas: punitur quia peccatum est et ne peccetur. Em vernáculo: pune-se porque pecou, pune-se para que não peque e pune-se porque pecou e para que não peque. A teoria dita absoluta é um fim em si mesma: pune-se por que pecou. Nada além disso, uma manifestação da lei de talião. Praticamente não tira nennuj proveito da atividade punitiva. Já o “pune-se para que não peque”, procura, esta sim, tirar um proveito da aplicação da pena, de uma forma especial e uma forma geral. Punido, o sujeito ativo não reincidirá e, ademais, servirá como um...

Mario Vargas Lllosa

Faleceu, aos 89 anos, o premiado escritor peruano Mario Vargas Llosa. Autor de muitos livros, alguns maravilhosos, e ganhador de vários prêmios, dentre os quais avulta o Nobel de Literatura. A forma como eu conheci a sua obra foi acidental. Eu fazia parte de um grupo chamado Círculo do Livro (não existe mais) e cada sócio tinha obrigação de comprar um exemplar por mês, e, caso não comprasse, o grupo enviava um exemplar de qualquer obra do catálogo. O mês estava por vencer e eu não tinha ainda comprado nenhum. Folheei o catálogo às pressas para comprar um – qualquer um – e um título atraiu a minha atenção: “Pantaleão e as visitadoras”, de autoria de Mario Vargas Llosa, escritor de quem eu nunca tinha ouvido falar. Li a obra e adorei e, a partir daí, comecei a comprar todas as que iam sendo publicadas, verdadeiras joias. Para registrar: Pantaleão e as visitadoras converteu-se em filme. Um dos seus livros chama-se “A guerra do fim do mundo”, que retrata, com personagens reais e fictí...